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Glossário do bitcoin: termos de A a Z em português

Mais de 100 termos de bitcoin explicados em português simples: sats, halving, spread, UTXO, seed phrase, DeCripto, GCAP, SPSAV, ETF e mais, de A a Z.

Por Guilherme Grigolin · Atualizado em 23 de outubro de 2026 · 12 min de leitura

Este glossário reúne os termos de bitcoin que brasileiros mais pesquisam, em ordem alfabética e em linguagem simples. Para o uso na prática, veja carteira de bitcoin, como guardar bitcoin, imposto de renda e o comparador de corretoras.

A

Air-gapped. Dispositivo ou processo que nunca se conecta à internet. Usado em carteiras que assinam transações offline, passando dados por QR code, cartão microSD ou arquivo.

Altcoin. Qualquer criptomoeda que não seja o bitcoin. Para o imposto de renda, entra na mesma regra de criptoativos, inclusive no limite mensal de R$ 35 mil.

Ataque de 51%. Cenário teórico em que um grupo controla mais da metade do poder de mineração e consegue reorganizar blocos recentes. Em redes grandes como o bitcoin, o custo é altíssimo.

B

Banco Central. Autoridade que regula as prestadoras de serviços de ativos virtuais no Brasil, a partir do marco legal dos criptoativos. Também administra o Pix.

Bens e Direitos. Seção da declaração de imposto de renda em que você informa o que possui. Criptoativos entram no Grupo 08, com código por tipo de ativo, conforme as regras da Receita.

BIP. Bitcoin Improvement Proposal. Documento que descreve uma proposta de mudança ou padrão do bitcoin, como o BIP39 das seed phrases.

BIP39. Padrão que define a lista de 2.048 palavras usadas para gerar a seed phrase de 12 ou 24 palavras.

Bitcoin (BTC). Moeda digital descentralizada, criada em 2008-2009 por Satoshi Nakamoto, com oferta limitada a 21 milhões de unidades. Com maiúscula, designa a rede e o protocolo. Com minúscula, a moeda.

Bitcoin Core. Implementação de referência do software do bitcoin. Rodar o Bitcoin Core transforma seu computador num nó completo.

Blockchain. Registro público e encadeado de todos os blocos de transações do bitcoin. Cada bloco referencia o anterior, o que torna alterações passadas inviáveis na prática.

Bloco (block). Conjunto de transações confirmadas e registradas juntas na blockchain. Um novo bloco é minerado em média a cada 10 minutos.

C

Canal Lightning. Conexão entre dois nós Lightning, financiada por uma transação on-chain, pela qual passam pagamentos rápidos.

Carteira custodial. Carteira em que um terceiro, como uma corretora, guarda as chaves por você. Praticidade em troca de depender dele.

Carteira não custodial. Carteira em que só você controla as chaves. Você tem mais controle e também mais responsabilidade.

Carteira (wallet). Programa ou dispositivo que guarda as chaves privadas e monta transações. O bitcoin em si fica na blockchain. Veja o guia de carteiras.

Chargeback. Contestação de uma compra no cartão junto ao banco emissor. Não se aplica ao bitcoin já enviado a um endereço.

Chave estendida privada (xprv). Equivalente privado do xpub. Dá controle total sobre as moedas de uma carteira e nunca deve ser compartilhada.

Chave privada (private key). Número secreto que autoriza gastar os bitcoins de um endereço. Quem a possui controla as moedas.

Chave pública (public key). Número derivado da chave privada, usado para gerar endereços e verificar assinaturas. Pode ser compartilhada sem permitir gastos.

Coin control. Recurso de carteiras que permite escolher quais moedas (UTXOs) gastar em cada transação. Ajuda na privacidade e no controle de taxas.

Coinjoin. Técnica em que várias pessoas juntam transações numa só, para dificultar o rastreio de quem pagou quem. Veja privacidade no bitcoin.

Cold wallet (carteira fria). Carteira cujas chaves ficam offline, como uma hardware wallet ou um papel guardado com segurança. Reduz a exposição a invasões.

Confirmação. Cada bloco minerado após o bloco da sua transação conta como uma confirmação. Mais confirmações significam menor chance de reversão.

Consenso. Conjunto de regras que todos os nós aplicam para decidir quais blocos e transações são válidos.

Corretora (exchange). Empresa que permite comprar e vender criptoativos em reais. No Brasil, as autorizadas operam como prestadoras de serviços de ativos virtuais. Veja o comparador.

CPFP. Child Pays For Parent. Técnica para acelerar uma transação parada: você cria outra que gasta o troco dela e paga taxa maior pelas duas.

Custódia. Guarda das chaves privadas. Pode ser de terceiros (corretora) ou própria (autocustódia). Veja como guardar bitcoin.

Custo médio. Valor médio pago por unidade do ativo, usado para calcular o ganho ao vender. No imposto, o ganho é a diferença entre o valor de venda e o custo médio.

D

DARF. Documento de Arrecadação de Receitas Federais. É a guia usada para pagar o imposto sobre ganho de capital em cripto, com código 4600, até o último dia útil do mês seguinte.

DCA. Dollar-cost averaging, ou compras recorrentes. Estratégia de comprar valores fixos em intervalos regulares, em vez de tentar acertar o momento.

DeCripto. Declaração de criptoativos criada pela IN RFB 2.291/2025, em vigor desde 1º de julho de 2026, que substituiu a IN RFB 1.888. Veja o guia de DeCripto.

Derivação (derivation path). Caminho que define como uma carteira gera chaves e endereços a partir da seed. Uma mesma seed pode gerar muitas contas diferentes.

Descentralização. Ausência de um ponto único de controle. No bitcoin, vem da rede de nós e mineradores independentes.

Dificuldade (difficulty). Parâmetro que ajusta o quão difícil é minerar um bloco. A rede o recalcula a cada 2.016 blocos para manter o ritmo de cerca de 10 minutos por bloco.

Double spend (gasto duplo). Tentativa de gastar as mesmas moedas duas vezes. A blockchain e as confirmações existem para impedir isso.

Dust. Valor tão pequeno que custa mais em taxa para gastar do que vale. Também é usado em ataques de rastreio e de envenenamento de endereço.

E

Electrs e Fulcrum. Servidores que indexam a blockchain para que carteiras como Electrum e Sparrow consultem seu nó.

Electrum. Carteira de desktop antiga e popular do bitcoin, que consulta servidores para ver saldos. Pode apontar para o seu próprio servidor.

Endereço (address). Texto que identifica o destino de um pagamento, derivado de uma chave pública. É recomendável usar um novo a cada recebimento.

ETF. Fundo negociado em bolsa. No Brasil, ETFs de cripto como HASH11, QBTC11 e BITH11 são negociados na B3 em reais. Você tem cotas do fundo, não as chaves do bitcoin.

Exchange descentralizada (DEX). Plataforma de troca sem custódia de terceiros, feita por contratos inteligentes. Não é comum para bitcoin na rede original.

F

Fiat. Dinheiro emitido por governos, como o real e o dólar, sem lastro em ouro.

Fork (bifurcação). Divisão do software ou da rede em duas versões. Um soft fork é compatível com versões antigas, enquanto um hard fork não é.

Full node. Nó que baixa e valida toda a blockchain segundo as regras do consenso. Veja como rodar um node.

G

Ganho de capital. Lucro na venda de um ativo por valor maior que o custo. Em bitcoin, é isento para vendas totais de até R$ 35 mil no mês e tributado acima disso.

GCAP. Programa da Receita Federal para apurar ganho de capital e gerar o DARF. O resultado é importado para a declaração anual.

Genesis block. Primeiro bloco do bitcoin, minerado por Satoshi Nakamoto em janeiro de 2009.

H

Halving. Evento que corta pela metade a recompensa dos mineradores a cada 210 mil blocos, ou cerca de quatro anos. Reduz o ritmo de emissão de novos bitcoins.

Hardware wallet. Dispositivo físico dedicado que guarda as chaves privadas e assina transações sem expô-las ao computador. Veja o guia.

Hash. Resultado de uma função matemática que transforma qualquer dado em uma sequência de tamanho fixo. A mineração e a identificação de blocos e transações usam hashes.

Hashrate. Poder computacional total dedicado à mineração, medido em hashes por segundo. Quanto maior, mais segura a rede.

HODL. Gíria para manter bitcoin sem vender. Nasceu de um erro de digitação de 'hold' num fórum, em 2013.

Hot wallet (carteira quente). Carteira conectada à internet, como app de celular ou corretora. Prática para valores pequenos e menos segura que uma fria.

I

IBD. Initial Block Download. Sincronização inicial em que um nó novo baixa e verifica toda a blockchain.

Imposto de renda. Tributo anual sobre rendimentos. Para bitcoin, envolve declarar bens e pagar sobre ganhos de capital. Veja o guia.

K

KYC. Know Your Customer. Processo de identificação de clientes por documento e selfie, exigido por corretoras reguladas.

L

Lastro. Ativo que garante o valor de outro. O bitcoin não tem emissor nem lastro: seu valor vem da escassez e da demanda.

Lightning Network. Rede de segunda camada sobre o bitcoin para pagamentos rápidos e baratos, feita com canais entre nós. Veja o guia.

Liquidez. Facilidade de comprar ou vender sem mexer no preço. Corretoras com mais volume costumam ter spreads menores.

Livro de ofertas (order book). Lista de ofertas de compra e venda abertas numa corretora. A melhor oferta de cada lado define o preço de mercado.

M

Maker e taker. Maker coloca uma ordem no livro e adiciona liquidez. Taker executa uma ordem existente. As taxas costumam ser menores para o maker.

MED. Mecanismo Especial de Devolução do Pix. Permite ao banco bloquear e devolver valores em casos de fraude ou coação.

Mempool. Fila de transações válidas que aguardam inclusão em um bloco. Quando está cheia, as taxas sobem.

Mineração. Processo em que computadores competem para propor o próximo bloco e recebem recompensa e taxas. Sustenta a segurança da rede.

Minerador. Participante que opera equipamentos de mineração e propõe blocos à rede.

Mixer. Serviço que mistura moedas de vários usuários para quebrar o rastro. Costuma ser custodial, o que o difere do coinjoin.

Multisig. Carteira que exige várias assinaturas, como 2 de 3, para gastar. Reduz o risco de perda ou roubo de uma única chave.

N

Nonce. Número que o minerador varia até encontrar um hash de bloco que atenda à dificuldade.

Nó (node). Computador que roda o software do bitcoin, valida regras e repassa blocos e transações.

O

Off-chain. Operação feita fora da blockchain, como pagamentos Lightning ou saldo interno de corretora.

On-chain. Operação registrada diretamente na blockchain do bitcoin, ao contrário de pagamentos Lightning.

OP_RETURN. Campo que permite gravar um pequeno dado numa transação. Esses dados não podem ser gastos.

Ordem a mercado. Ordem executada imediatamente ao melhor preço disponível. Rápida, mas sujeita a spread e deslizamento.

Ordem limitada. Ordem que só executa no preço definido por você ou melhor. Dá controle, mas pode não ser executada.

P

P2P. Peer-to-peer. Negociação direta entre pessoas, sem a corretora segurando o dinheiro. Veja bitcoin P2P.

Passphrase. Palavra extra, também chamada de 25ª palavra, somada à seed para gerar uma carteira diferente. Se você a perder, perde o acesso.

Pix. Sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central. É o principal meio de depósito e saque em reais nas corretoras brasileiras.

Poda (pruning). Modo em que o nó apaga blocos antigos após validá-los, usando pouco disco.

Proof of Work (prova de trabalho). Sistema em que mineradores gastam energia e poder computacional para propor blocos. É o que torna caro reescrever a história.

PSBT. Partially Signed Bitcoin Transaction. Formato padrão para montar uma transação em um aparelho e assiná-la em outro, como numa hardware wallet.

R

RBF. Replace-By-Fee. Permite substituir uma transação ainda não confirmada por outra com taxa maior, para acelerá-la.

Receita Federal. Órgão que fiscaliza e arrecada tributos federais, incluindo o imposto sobre cripto, e recebe os dados da DeCripto.

Recompensa de bloco (block reward). Bitcoins novos que o minerador recebe ao minerar um bloco, mais as taxas das transações incluídas. Cai pela metade a cada halving.

Rede principal (mainnet). Rede real do bitcoin, em oposição à testnet.

S

Satoshi Nakamoto. Pseudônimo de quem criou o bitcoin e publicou o white paper em 2008. Sua identidade é desconhecida.

Satoshi (sat). Menor unidade do bitcoin: 1 BTC tem 100 milhões de sats. Também é o nome do criador anônimo, Satoshi Nakamoto.

Sats por vbyte. Medida da taxa por unidade de tamanho de transação. Define sua prioridade na fila do mempool.

Script. Linguagem simples que define as condições para gastar uma saída de transação.

Seed phrase (frase de recuperação). Lista de 12 ou 24 palavras que recria todas as chaves de uma carteira. Quem a tem controla os fundos, então nunca a compartilhe.

SegWit. Segregated Witness. Atualização de 2017 que separou as assinaturas dos dados da transação, reduzindo taxas e corrigindo a maleabilidade.

Self-custody (autocustódia). Guardar suas próprias chaves em vez de deixar o bitcoin numa corretora. Em inglês se resume em 'not your keys, not your coins'.

Slippage (deslizamento). Diferença entre o preço esperado e o executado, comum em ordens grandes ou em mercados com pouca liquidez.

Sparrow. Carteira de desktop para bitcoin com coin control, suporte a hardware wallets e conexão a nó próprio.

Spread. Diferença entre o preço de compra e o de venda. É um custo embutido em corretoras e no modo 'compra simples'.

SPSAV. Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais. Empresa que precisa de autorização do Banco Central para operar corretoras, custódia e intermediação de cripto no Brasil.

Stablecoin. Criptomoeda que busca manter valor estável, normalmente atrelado ao dólar. USDT e USDC são exemplos. Seu uso conta nas regras de reporte e de imposto.

Stale block. Bloco válido que não entrou na cadeia principal porque outro foi aceito primeiro.

T

Taproot. Atualização ativada em 2021 que melhora privacidade e eficiência de contratos e multisig, usando assinaturas Schnorr.

Taxa de rede (network fee). Valor pago aos mineradores para incluir sua transação em um bloco. Depende do tamanho da transação em bytes e da demanda, não do valor enviado.

Taxa de saque. Cobrança da corretora para enviar bitcoin ao exterior da plataforma. Pode incluir a taxa de rede mais um adicional.

Testnet. Rede de testes do bitcoin, com moedas sem valor, usada por desenvolvedores e para treino.

Timelock. Condição que impede o gasto de moedas até certo momento ou bloco.

Tor. Rede que esconde o endereço IP roteando o tráfego por vários servidores. Usada para conectar nós e carteiras com mais privacidade.

Transação. Operação que gasta saídas anteriores (UTXOs) e cria novas, transferindo valor entre endereços.

Troco (change). Parte de uma transação que volta para você. Como UTXOs são gastos inteiros, o que sobra retorna num novo endereço seu.

TXID. Identificador único de uma transação. Serve para acompanhá-la em explorador de blocos.

U

UTXO. Unspent Transaction Output. 'Moeda' ainda não gasta de uma transação. O saldo de uma carteira é a soma de seus UTXOs.

V

Volatilidade. Variação de preço ao longo do tempo. O bitcoin pode subir ou cair muito em pouco tempo.

W

Wasabi. Carteira de código aberto com coinjoin. A empresa encerrou seu coordenador em 2024, e a carteira usa coordenadores independentes.

Watch-only. Carteira que só observa saldos e cria transações sem assinar, porque não guarda a chave privada.

Whirlpool. Protocolo de coinjoin criado pelo Samourai Wallet. O Samourai saiu do ar em 2024 e o código foi aproveitado pelo projeto Ashigaru.

White paper. Documento de 2008 em que Satoshi Nakamoto descreve o bitcoin como sistema de dinheiro eletrônico ponto a ponto.

Wrapped bitcoin. Token em outra blockchain que representa bitcoin, geralmente com um custodiante por trás. Não é bitcoin na rede original.

X

xpub. Chave pública estendida. Permite ver todos os endereços de uma carteira sem poder gastar. Compartilhá-la revela seu histórico e saldo.

Z

Zero-conf. Transação aceita sem confirmação. É mais arriscada, pois ainda pode ser substituída antes de entrar em bloco.

Este glossário é informativo e não substitui um contador.

Perguntas frequentes

O que é um satoshi (sat)?

É a menor unidade do bitcoin. Um bitcoin tem 100 milhões de satoshis, então 1 sat vale 0,00000001 BTC.

O que é halving?

É o evento que reduz pela metade a recompensa dos mineradores a cada 210 mil blocos, cerca de quatro anos. Ele diminui o ritmo com que novos bitcoins entram em circulação.

O que é seed phrase?

É uma lista de 12 ou 24 palavras que recria todas as chaves da sua carteira. Quem a tiver controla seus bitcoins, por isso nunca deve ser digitada em sites nem enviada a ninguém.

O que é spread numa corretora?

É a diferença entre o preço de compra e o de venda. Funciona como um custo embutido, além das taxas anunciadas.

Fontes

  1. Bitcoin white paper (Satoshi Nakamoto)
  2. Bitcoin Core
  3. Receita Federal: DeCripto
  4. Lei 14.478/2022 (marco legal dos criptoativos)

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